São Paulo

O que mostrar de São Paulo para minha anfitriã e cicerone cidadã de Hamburgo, uma cidade pacata, plana, e em ordem?
Com tempo curto, optei por um choque de realidade, com muito movimento, ladeiras, e desordem… mas o difícil mesmo é perceber e explicar as idiossincrasias desta cidade impossível, como por que temo andar com a câmera fotográfica na rua sendo que temos 4 polícias, duas delas ostensivas? Que uma turista européia fotografa moradores de rua que a gente mal percebe. Que as faixas de pedestres são apenas faixas brancas e paralelas para tirar a monotonia do preto do asfalto. Que nada diferencia os ambulantes que ficam atentos ao rapa e os que nem dão bola. Mostrar in loco por que morre ao menos um motoqueiro por dia no trânsito – aqui ela definitivamente se assustou e, em uma ocasião, chegou a pôr a mão no volante quando éramos ultrapassados pela direita por um deles, enquanto eu explicava “Calma, é assim mesmo…”.

Bem, não deu tempo de arrumar a casa antes dela nos visitar, quem sabe daqui a alguns anos? Uns 400…

Metrô da Penha à Sé, para mostrar um de superfície e não sem antes explicar que um pouco do roteiro era para evitar voltar de carro para a ZL em pleno horário de rush.

Olhando para o leste Entrando Olhando para o centro
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Catedral da Sé que, confesso envergonhado, nunca havia entrado. Sem muitas fotos pois estava tendo culto e, embora ninguém reclamasse, achei melhor não clicar muito

E por falar em poucas fotos, são poucas mesmo pois não é aconselhavel ficar dando bandeira com o equipamento naquela região. Explicado isso, partimos da Sé para o Pateo do Colégio, que, envergonhado2, também nunca havia visitado. E surpresa, está muito bem conservado e tem o Espaço Café do Pateo, muito bonito.

Então, depois de uma vista nos edifícios Mercúrio e São Vito, descer a 25 de Março para mostrar a cacofonia e agitação da, dizem, rua mais movimentada do Brasil. Se impressiona até a mim, ela não parou de olhar e ouvir a bagunça completamente desorganizada mas funcional dos ambulantes e pedestres – teve até a oportunidade de ver o rapa passando – e as enormes lojas especializadas em tudo quanto é artigo.

Paramos para almoçar no Mercado Municipal, onde a Isabel ficou impressionada com as luzes e variedades

mas não arrisquei sugerir o sanduíche de mortadela.

Depois uma volta pelo centro – XV de Novembro, Boa Vista, Viaduto Santa Ifigênia, Líbero Badaró, São João, Teatro Municipal, São Bento, João Mendes -  com direito a uma parada no Bar Guanabara, para mostrar um dos meus lugares preferidos para tomar uma cerveja no centro de São Paulo.

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À noite os velhos amigos se reuniram e improvisamos uma noitada que acabou sendo duplamente histórica: pela reunião e pelos lugares :) Uma visita a o Bixiga, antigo bairro italiano, mereceu a visita ao Bar do Amigo GianottiR. Santo Antônio, 1106, que frequentávamos já na década de 80 e que finalmente calhou de pegarmos aberto – agora só de quinta a domingo – e que está sofrendo algumas poucas reformas e está mais amigável para os não iniciados. E a fogazza continua ótima.

E, já que o Bixiga hoje também é um bairro nordestino, nada melhor que uma emendada no Recanto Nordestino – esquina da Manuel Dutra com a Santo Antônio, com direito a porção de jabá e coquinho.

Categories: Cotidiano, São Paulo, Turismo
  1. Andrey
    10, agosto, 2009 em 12:54 | #1

    Edu, uma curiosidade: após visitar a Europa você continua achando que o Brasil é assim, do jeito que é, porque somos um país jovem?

  2. 10, agosto, 2009 em 13:12 | #2

    Humm… sim, *também* considero, como considero também por termos sido colonizados por portugueses com objetivos extrativistas, por termos estado no lugar errado na hora errada em alguns momentos da história… veja, como explicar o quê e como somos, ou o quê e como é cada nação deste mundo, a não ser por uma perspectiva histórica? Desígnio de Deus é que não foi. E como não nos dar um crédito? Andei lá por construções mais antigas do que o achamento do Brasil, e sinceramente acho que temos progredido como sociedade cada vez mais rapidamente.
    Ok, sou um otimista, mas vamos torcer e, por que não, trabalhar para que eu esteja certo? Pelo bem dos nossos descendentes… ops, dos seus ;)

  3. Andrey
    10, agosto, 2009 em 18:21 | #3

    Concordo, o brasileiro tem uma mentalidade extrativista: cada um por si e pegue o que puder dessa terra. Isso há 500 anos e infelizmente eu não vejo mudança, não.
    Claro, vejo algumas pessoas de meu convívio que são honestas e responsáveis, mas minha visão não pode ser enviesada por eu saber escolher minhas amizades. Isso não consiste uma boa base amostral. ;)
    Eu venho decepcionado e assustado com as atitudes de meus compatriotas nas ruas, no trânsito, nos jornais e, principalmente, nas instâncias mais altas do poder…Atualmente a política tem me decepcionado cada vez mais e como dizem por aí: os políticos são apenas o reflexo do povo.
    Tento ser realista, mas se a realidade é péssima… como não ser pessimista?
    Tomara que eu esteja errado.

  4. 10, agosto, 2009 em 20:13 | #4

    Sobre ‘… como não ser pessimista’: considere a hipótese de sermos igualmente realistas e que eu também consiga ver a péssima realidade. Consigo não ser pessimista comparando: acho que era pior e que está melhorando.
    Nada muda de um dia para outro, e com o advento da globalização (ai :) ) e sua difusão das informações em quantidade e velocidade cada vez maiores, creio que o mundo e suas sociedades ficarão culturalmente cada vez mais uniformes – fato – e melhores – otimismo.

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