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Arquivo de dezembro, 2009

Hot 8 Brass Band no Bar B

24, dezembro, 2009 1 comentário

Socializando a saideira natalina com a Derly no Bar B: entre muitas boas escolhas do DJ acabamos por conhecer a Hot 8 Brass Band, de New Orleans. Nem vou perder tempo explicando, ouça – especialmente se gostar de R&B:

Sexual Healing - Hot 8 Brass Band

Mais aqui e aqui.

Quanto ao ótimo Bar B: ao lado da antiga e quase extinta Boca do Luxo lá no centro velho, bem perto do antigo e extinto Hilton Hotel, alguém resolve fazer um bar hiper transado e agradável, com bons cardápio e atendimento, e uma bela trilha sonora! Devia ganhar um prêmio!
O subtítulo do lugar diz bem: jazz, arquitetura e arte no centro de são paulo. O centro merece, e precisa, de lugares como este.

E tem mesas na calçada para os fumadores – o que pra mim tem se revelado nada saudável, pois parece que vou à desforra e fumo mais que o normal :(

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Nota: ah, tivemos que interromper o amigo secreto dos funcionários do bar para pagar a conta ;) eles fecharam ontem e só reabrem em 13 de janeiro.

Categories: Música, São Paulo, Turismo

É proibido fumar

16, dezembro, 2009 2 comentários

Instigante. Além do óbvio sobre os esforços da Baby para parar de fumar por conta do novo namoro, não dá aqui para eu contar a história que me faz classificar o filme desta maneira.

Misteriosamente arrisco: no geral usa um disfarce de comédia real leve e despretensiosa, um pouco mais notável para quem gosta de ver Sampa e o cotidiano do pessoal da Vila e adjacências. Mas o caroço da questã está no desfecho, que me fez sair com um sabor amargo de espanhol ofendido, e que só depois de uma reflexiva caminhada consegui, até certo ponto e forçando meu lado compreensivo, perdoar os personagens e os donos do filme, digerir o conflito, e entender, acho, a proposta.

Indico para quem acha que já fez tudo para salvar uma relação.

Uns detalhes interessantes:


- o Miklos atuando: só o tinha visto n’O Invasor. O cara é bom.

- ver o Paulo Miklos tocando samba numa churrascaria do Peréio.

- uma participaçãozinha da Pitty.

- uma das personagens tem um Vitara véio (tá, esse só vale pra mim :) )

- passar o filme sem fumar e me imaginando na situação da Baby ;)

- o mantra “O cigarro parece seu amigo, mas é seu inimigo”.


No imdb.

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Categories: Cinema

Sutilmente

15, dezembro, 2009 1 comentário

Um dia ganhei da Vivi um violão, que nunca me empenhei em aprender. Anos depois, depois deste violão passar por poucas e boas, acabei devolvendo-o. Se tivesse aprendido, uma das músicas que tocaria – à beira da fogueira, com os amigos – seria essa, que não parece nada complicada e tem refrão para todo mundo cantar junto.

Sutilmente - Skank

Samuel Rosa / Nando Reis

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Ando musical ;)

Categories: Música, Sobre a vida

Ludo Real – Patricia Salem

15, dezembro, 2009 1 comentário

Ouvi de passagem numa rádio esta gravação de Ludo Real, do Chico e do Vinicius Cantuária, a voz da Patricia é maravilhosa e o arranjo está ótimo. Como tá pública, resolvi compartilhar (agora com um audio player!):

Ludo Real – Patricia Salem

Ludo Real
Composição: Chico Buarque e Vinicius Cantuária

Que nobreza você tem
Que seus lábios são reais
Que seus olhos vão além
Que uma noite faz o bem
E nunca mais

Que salta de sonho em sonho
E não quebra telha
Que passa através do amor
E não se atrapalha
Que cruza o rio
E não se molha

Ê, ê, ê andaia
A lua ê, a lua ê
andaia

A lua tem diversas músicas belas, não?

Categories: Música

Haikais

11, dezembro, 2009 1 comentário

Vasculhando meu baú virtual atrás do antigo blog do Andrey, acabei encontrando o meu antigo e, lá, os haikais que fiz na época, 2001/02… pela ordi:

– estes foram os primeiros :

Caí do trem da história
Fiquei sem saber
onde ele ia

quando vi o som do dia
só ouvi
o que escrevia

o rodo se esbaldava
na água que caía
em gota

outono hoje
a sombra costumeira
virou colchão

– putz, aqui era eu torcendo para umas plantas que eu havia comprado florirem… morreram pouco depois :(

vai brotar a flor
a ansiedade
à flor da pele

estes foram esperando a Lu, que havia ido comprar “uma blusinha rapidinho“… onde anotei “Este é meu primeiro com métrica perfeita (5-7-5)” :)

ai ai ai ai ai
ai ai ai ai ai ai ai
ai ai ai ai ai

se flor comprasse as pétalas
levaria anos
para florir

– aqui meu eu melancólico se manifestando

Saudades da melancolia
de quando da dor não sabia
que sabia a filosofia.

– a série abaixo certamente foi numa época nublada como os últimos dias aqui em Sampa

Ando esquecido
Há um azul celeste
Atrás do branco?

Azul cadê?
Algodão entope
Minha vista

Mais céu nublado
Por mais tempo fará
Meu humor inglês

Retornou com classe
Após a densa neblina
Bem-vindo à terra

– minhas encrencas com comunicação, já de antigamente…

Telefone email
Celular torpedo chat
Devia ficar quieto

– e esse eu mesmo não entendo

Eleger o possível,
torna possível
o impossível.

Depois nunca mais fiz haikais, acho que a vida começou a ficar mais complicada naqueles tempos e fui abandonando, como abandonei o blog. Quem sabe volte a inspiração.

Categories: Literatura, Sobre a vida

Capitalismo Esotérico

10, dezembro, 2009 3 comentários

Não, aí já foi demais… depois do Capitalismo Selvagem, agora temos o Capitalismo Esotérico, nas palavras do podcast de ontem no Filosofia de Bem Viver, da Márcia De Luca, especialista (!) em yoga (!!) e ayurveda (!!!) da Rádio Eldorado.

O negócio é tão espantoso que me aluguei em transcrever – leia de preferência ouvindo uma música new age bem baixinho:

“Hábito de guardar dinheiro não é saudável; ouça as dicas da Márcia de Luca
A lei da prosperidade nos ensina que as coisas devem fluir natural e espontâneamente
(sic).

Quantas pessoas têm o hábito de guardar dinheiro? Guardar dinheiro com medo de que um dia falte em sua vida. O simples ato de guardar e guardar vai promovendo uma estagnação da energia. Ilusoriamente estas pessoas podem achar que estão enriquecendo, aparentemente até estão. Mas estão também truncando a lei da prosperidade que nos ensina que tudo deve fluir natural e espontaneamente, para que o movimento continue se perpetuando. Para ganhar é preciso gastar, mas gastar com critério e inteligência, comprando o que é necessário, investindo de maneira coerente, intensificando, desta maneira, a poderosa lei universal que diz que é dando que se recebe. Essa é mais uma dica da filosofia de bem viver. Juntos podemos fazer a diferença para um mundo melhor.”

Ou ouça o original aqui.

Ô Dona Márcia, guarda dinheiro quem tem dinheiro para guardar, pois a maioria dos mortais aqui tem medo de que um dia falte em nossa vida. E imagine o quão esotérico é para seu ouvinte que rala pra fazer o salário chegar ao fim do mês ficar satisfeito por não estar guardando nada, pois assim não está ‘promovendo uma estagnação da energia’?

Dona Márcia, é óbvio que o dinheito circular é necessário na economia, pois… mas chamar isso de ‘lei da prosperidade’ pois a grana deve ‘fluir natural e espontaneamente’… uau, quanto dinheiro pinga espontaneamente na sua conta??? Para ganharmos é preciso que alguém gaste, normalmente somos nós mesmos – aqueles mortais de que lhe falei, mas às vezes temos que guardar tudo o que conseguimos para conseguir realizar algum sonho – e olha, aí vamos gastar! – ou para nos prepararmos para uma adversidade ou para a quando o dinheiro parar de pingar espontaneamente – uau2, gostei dessa idéia de espontaneidade na economia. E, olha, na boa: ‘é dando que se recebe’ cabe melhor discutindo política do que economia, quanto mais esoterismo. Mas não se preocupe, eu habitualmente compro incensos e faço a grana circular para seus lados ;)

By the way, vou sugerir para o pessoal de Brasília te chamar para participar das reuniões do COPOM, se os incensos, o new age, e o pessoal reunido em posição de lótus não servir para baixar os juros, ao menos as atas vão ser bem mais interessantes :)

Abraços partidos

9, dezembro, 2009 1 comentário
abracos De Tokyo para Madrid, com menos Madrid neste do que Tokyo naquele, já que o foco maior do Almodóvar está nos personagens.

Na minha crítica rala, um Almodóvar mais sóbrio, menos caricato, mas nem por isso menos intenso.

Voltando à minha defesa do cinema entretenimento, este filme transitou bem entre os extremos – fez-me rir e chorar, e ainda contém um que de desafio intelectual no mistério que surge na hora certa – mas não vou contar mais – e emocional, pois conseguiu me criar empatia com todos os personagens.

E com o plus a mais de Penélope Cruz perturbante de linda ;)

Muiiiiiiiiiiiiiiiiito bom!
Categories: Cinema

Tokyo

8, dezembro, 2009 4 comentários

Uau! Tri-puta filmes: três visões de Tokio potencializadas, em mim, por amar São Paulo; três diretores – dois franceses, um coreano- que acertaram a mão em três histórias realisticamente surreais: Interior Design, com um jovem casal tentando se estabelecer em Tokio; Merde, um homem-monstro que apavora a cidade, e onde a sequência inicial bem poderia ser filmada na Paulista; e Shaking Tokio, um hikikomori que tem perturbada sua paz por uma entregadora de pizza com botões, e alguns terremotos.

Três histórias, três cartazes:
tokyo1     tokyo_3     tokyo_2

No IMDb.

Três notas:
. em diversos momentos vi Sampa no filme, talvez uma Tokio sem ordem nem publicidade.
. dá pra ser um hikikomori por aqui também, só não vamos encontrar entregadoras – nunca recebi uma – e terremotos.
. tá, o dia foi chato com tanta chuva e consequências, mas caminhar pela Paulista molhada à noite, iluminada pelo brilho refletido do Natal e das luzes dos automóveis e das pessoas, mais seus sons e movimentos, me fez andar a 24/s e curtir cada passo como se estivesse numa película.

Sobre a sala: ok, o HSBC Belas Artes tem bebedouro, mas tem ar-condicionado no último volume, portanto não vá desagasalhado! Eu, pelo menos, passei o filme todo tiritando.

Categories: Cinema, Cotidiano, São Paulo

Discutindo a relação

8, dezembro, 2009 1 comentário

O Laerte, o Angeli, e o Glauco, para mim nesta ordem, são muitas vezes felizes ao transportar as misérias do cotidiano para os quadrinhos.

A de hoje do Angeli é perfeita, mas só quem já discutiu relação é que entende:

blog_005a
Angeli – Folha de São Paulo – 08/12/2009

Vou sentir falta deles…

Interfaces

3, dezembro, 2009 3 comentários

Em meados da década de 80 do século passado (uau, como esta frase envelhece a história!) os bancos iniciavam a implantanção do auto-atendimento, e especificamente no Banco do Brasil o que havia de ‘auto’ era um terminal muito simples, parecido com uma máquina de escrever elétrica IBM com um display de cristal líquido e uma pequena impressora acoplada, que só servia para o cliente, após informar os dados – acho que nem havia cartão magnético – obter um extrato ou saldo impresso.
Como era novidade e era desejado substituir a cultura da boca do caixa para o auto-atendimento, os caixas eram instruídos a, quando o cliente solicitasse algo disponível no terminal, solicitar a ele que fosse até lá e se virasse sozinho.

Nesta época minha irmã, que era caixa no Banco do Brasil da Penha que ficava numa rua repleta de lojas bem no centro comercial e estava acostumada a atender os donos das lojas que iam depositar a féria do dia e controlar a conta, um dia atendeu uma senhora que queria um extrato da conta da loja do marido que estava doente e não podia ir ao banco, coisa que ela não costumava fazer. Como era apenas um extrato, minha irmã a orientou a ir ao terminal e voltou ao trabalho. Uns bons minutos depois a mulher volta, com lágrimas nos olhos, envergonhada, pedir ajuda pois não havia conseguido se comunicar com a maldita máquina e, poxa, precisava do extrato.

A Vivi me contou esta história ainda em meados da década de 80 (uau, como esta frase me envelhece!) e aí quem ficou com lágrimas nos olhos fui eu, imaginando a impotência da senhora, provavelmente uma dona de casa eficaz operadora de diversos aparelhos da vida doméstica, incapaz ante a um ininteligível aparelho da era da informática.

De alguma maneira esta história me ficou marcada – me emociona até hoje – e me orientou na vida profissional, quando em algum momento comecei a trabalhar na área de produtos e me embrenhei em definir interfaces de programas com o usuário, o fazia sempre lembrando que um ser humando desacostumado com operar computadores ocasionalmente precisaria utilizá-lo.

Eu não costumo ter problemas para conversar com máquinas – meu último foi com uma máquina no Metrô Sé, que me roubou as últimas moedas e a lata de Coca-Cola Zero. Os aparelhos e programas são em número limitado, normalmente vem com manuais, e os conceitos que norteiam as definições de interfaces com o usuário são públicos e compartilhados.

Meu dicionário define

interface

s. f.

1. Inform. Dispositivo (material e lógico) graças ao qual se efetuam as trocas de informações entre dois sistemas.

2. Didát. Limite comum a dois sistemas ou duas unidades que permite troca de informações.

3. Por ext. Interlocutor privilegiado entre dois serviços, duas empresas, etc.

que amplio resumidamente com “disponibilização organizada, e desejavelmente amigável, de sinais e métodos que informam e orientam o interlocutor a como perguntar e obter sua resposta.”

E isso tudo funciona muito bem, obrigado, com as diversas máquinas e softwares que tenho que acessar no dia-a-dia (exceto a máquina que me roubou a Coca-Cola!), pois há todo o conjunto de costumes e regras que orientaram quem definiu as interfaces e me orientam quando preciso utilizá-las.

Mas nestes últimos reclusos dias tenho pensado mesmo é nas interfaces entre as pessoas, considerando que são basicamente comunicações, que ganharam muito em possibilidades e complexidade nos últimos tempos.

Quando nos comunicamos queremos dizer algo aos outros e obter respostas – lembre-se que até um aplauso ou uma vaia são respostas – e há uma organização, uma etiqueta, que rege e permite esta interação, esta interface entre pessoas.

Mas pessoas têm uma variedade que beira o infinito, não vem com manual, nem sempre obedecem as mesmas regras de comportamento que as outras, e nem sempre dão a resposta que esperamos, quando dão. O que torna acessar esta interface algo um tanto mais complicado do que quando com as máquinas.

Agora então, com todas as facilidades modernas, que, mais do que em qualquer outro aspecto da vida, sofisticaram as comunicações entre pessoas com a telefonia e internet e seus inúmeros meios e recursos possíveis de interação, criando ainda mais variáveis a serem consideradas na hora de entabular, ou tentar, uma comunicação com outras pessoas, às vezes me vejo perdido.

É que são hoje tantas as possibilidades e combinações para enviar e receber informações que eventualmente, como a senhora que chorou no terminal, não consigo me entender com elas e desisto.

Categories: Sobre a vida, Tecnologia