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Arquivo de 14, setembro, 2009

A sinceridade da periferia

14, setembro, 2009 2 comentários

Faz  meses que cultivo cá minhas suíças, ciente desde o início de que ia ser alvo de chacotas dos amigos e, eventualmente, de anônimos pelas ruas. O caso dos amigos foi, e é, fato: de Logan a Nazi, tenho ignorado todas a indiretas pr’eu usar o barbeador. Mas no dia-a-dia, pelo centro e adjacências, passo incólume, misturado a outros tantos personagens, digamos, esquisitos… só às vezes noto um certo olhar aqui ou acolá – fora crianças, que às vezes cutucam seus pais ao me verem… mas criança é sempre inaceitavelmente sincera, né? – , então em geral caminho sossegado e sigo, estoicamente, com meu visual anacrônico.

Mas é só ir para a periferia que a coisa muda…

No semáforo para acessar a Radial, ao eu recusar uma limpeza no parabrisa: “Ô Wolverine, então dá uma moedinha…

A garçonete do restaurante nordestino na Penha em que almoço vez em quando: “E aí? Quando é que você vai tirar esse negócio da cara???“.

No supermercado lotado lá na Vila Matilde, logo ao entrar para cuidar do abastecimento de cervejas pr’uma festa, um carinha comenta, alto: “Ih, olha lá o Wolverine!“, e o amigo completa “Só se for depois da gripe suína…“.

Na padaria Internacional, lá na Patriarca, chego no balcão e a balconista, que estava de costas, ao se virar e me ver grita “Que susto!“.  Aí quem se assustou foi eu, “Tô tão feio assim?“. A mulher, séria e, juro, meio brava, “Tá sim, com esse negócio na cara! Tá parecendo um…, sei lá, um macaco! Que susto, moço!

Pois é, sem consideraçõs estéticas (comentários neste sentido serão sumariamente recusados :) ), concluo que o pessoal na periferia é definitivamente mais sincero e despojado de inibições, falam o que sentem e zombam de quem querem – levando em conta que não ando armado e não tenho garras retráteis de adamantium. E, sinceramente, acho é bom, torna a vida, às vezes já tão pesada, mais leve… até a minha, pois me divirto ;)