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Vidas que se cruzam
| Boa estréia do Guillermo Arriaga como diretor, num drama denso e irriquieto, que consegue segurar o mistério quase até o final. E, como roteirista, se “Babel” era um quebra cabeça, este está mais para um cubo mágico: vamos vendo as cores se agrupando e, quando resolve um lado, os outros são revelados, no tempo e no espaço. As atuações também ajudam: de certa maneira a escolha da Kim Bassinger e da Charlize Teron ajudou na percepção da história, duas lindas e ótimas atrizes se mostrando sem retoques, num momento em que a segunda meio que ocupa o lugar da primeira no cenário cinematográfico. O título em português não ajuda muito, mas depois que descobri que ele são criados como são feitas as salsichas, não espero muito (leia na Piauí). No IMDb. |
À moda da casa
Preciosa
Um homem sério
Sherlock Holmes
Nota melancólica: como nos velhos bons tempos fomos comentar o filme no Bar Balcão, que continua ótimo pra beber-comer-conversar (não necessariamente nesta ordem), mas desta vez, depois de muito tempo sem ir lá, notei que a barba do Barba – o tomador de conta de carros oficial lá da esquina da Tietê com a Melo, que era preta-petróleo nos já citados bons tempos, está ficando branca
Ah, a inexorável marcha do tempo…
Ervas Daninhas
| Filme francês meio nonsense meio sem sentido – se bem que você não consegue saber bem onde começa um e termina outro – que acompanha a recíproca mas desencontrada atração obsessiva-maniaco-paranóica entre um casal aproximado por um fortuito furto. Bem, o cartaz é bonito Recaída minha aos filmes franceses fruto do acaso e da chuva que não pára (ah, esse acento eu não deixo cair) nessa cidade. Em cartaz em alguns cinemas de São Paulo. No IMdB. |
Lula, o filho do Brasil
Em 10 de maio de 1958, Carolina Maria de Jesus escrevia o seguinte em “Quarto de Despejo. Diário de uma favelada”: “… O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.”
Pode-se falar o que for sobre o Lula e seu governo, a média classe média do Sul e Sudeste pode esbraVejar do alto de sua indignação preconceituosa pouco esclarecida e muito manipulada; os analistas de plantão, bastante ouvidos apenas pela classe acima citada, podem dissecar todas as iniciativas e movimentos deste governo que certamente acharão erros, problemas, más condutas, na mesma medida que não enxergam, ou não divulgam, seus inversos.
Mas todos ão de convir que a trajetória de um nordestino que conheceu a pobreza e a fome e que viajou 13 dias em um pau-de-arara para, junto com sua família alicerçada pela mãe Dona Lindu, com seu bordão “Teima, é só teimar que dá certo”, salvar a vida em São Paulo, fez toda a diferença para os brasileiros mais pobres.
Não é brilhante mas é um bom filme, e vale pra gente conhecer um pouco melhor a trajetória d’o cara
Sobre “Quarto de Despejo”: Carolina era uma favelada negra semi-alfabetizada que morava na favela do Canindé na década de 1950 com três filhos pequenos, sustentando-os na medida do possível como catadora de papel e, entre uma batalha e outra, escrevia um diário onde contou o cotidiano seu e da favela. Descoberta por um jornalista, conseguiu publicar um livro com fragmentos do diário abrangendo de 1955 a 1o de Janeiro de 1960. O livro foi um fenômeno de vendas e ela consegui realizar o sonho de ter uma casa de alvenaria. Publicou mais alguns livros, ficou conhecida mundialmente – foi tema de documentário na Alemanha – e finalmente morreu pobre e esquecida em seu país em 1977.
Do livro, em 28 de Maio de 1959: “… A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.”
Aconselho a leitura para todos que querem conhecer um pouco da miséria e do que é passar fome sem ser nas dietas pré-verão ou nos jejuns pré-exame de sangue.
Aqui na Livraria Cultura, classificado com ‘infanto juvenil’!
É proibido fumar
Instigante. Além do óbvio sobre os esforços da Baby para parar de fumar por conta do novo namoro, não dá aqui para eu contar a história que me faz classificar o filme desta maneira.
Misteriosamente arrisco: no geral usa um disfarce de comédia real leve e despretensiosa, um pouco mais notável para quem gosta de ver Sampa e o cotidiano do pessoal da Vila e adjacências. Mas o caroço da questã está no desfecho, que me fez sair com um sabor amargo de espanhol ofendido, e que só depois de uma reflexiva caminhada consegui, até certo ponto e forçando meu lado compreensivo, perdoar os personagens e os donos do filme, digerir o conflito, e entender, acho, a proposta.
Indico para quem acha que já fez tudo para salvar uma relação.
| Uns detalhes interessantes:
- ver o Paulo Miklos tocando samba numa churrascaria do Peréio. - uma participaçãozinha da Pitty. - uma das personagens tem um Vitara véio (tá, esse só vale pra mim - passar o filme sem fumar e me imaginando na situação da Baby - o mantra “O cigarro parece seu amigo, mas é seu inimigo”. |