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Arquivo da Categoria ‘Literatura’

Relendo Calvin

17, junho, 2009 5 comentários

Devia ter falado o mesmo para minha irmã quando era pivete…
Calvin01b :)

Categories: Literatura, Sobre a vida

Mafalda morava em San Telmo

17, maio, 2009 Sem comentários
BLOGmafaldapredio No blog Os Hermanos,  de Ariel Palacios, está a história completa.

Se soubesse disto quando visitei Buenos Aires teria explorado San Telmo com mais cuidado ;)

Nota de viagem: lembrei muito da Mafalda em Lisboa, pois lá se come muita sopa. Eu aderi. Ela sofreria.

Fernando Pessoa – Lisboa

14, maio, 2009 2 comentários

Finalmente ontem, no último dia, cheguei ao lugar onde o Pessoa nasceu
DSC_0078, ao Café A Brazileira, onde um gringo tomava uma cerveja com ele e não arredou pé do lugar DSC_0104, e ao túmulo no Mosteiro dos Jerónimos, onde tive que sair rápido pois foi invadido por uma horda de turistas que sequer falam português (depois voltei) DSC_0392 .

O túmulo fica em num corredor isolado do Mosteiro, com o mini-obelisco e 3 trechos de poemas a lhe prestar homenagem, e uma placa explicativa para os turistas (em português e inglês). Um tanto fora de contexto, ainda mais considerando que não vemos referências religiosas em sua obra – não conheço 100%, mas não lembro de uma sequer.
Não sei onde o túmulo ficava originalmente, mas acho que era em algum cemitério comum no centro de Lisboa, e lá devia ter ficado, na minha opinião (ah, o Panteão era brincadeira :) ).

E aqui chegou ao fim a visita a Lisboa, mesmo por que a bateria da minha câmara acabou logo em seguida. Nestes dias todos percorri a maior parte do roteiro de Lisboa que o Pessoa fez, o que me fez me enveredar por várias ladeiras e becos nos caminhos entre os sítios, sempre com a agradável companhia da lembrança de que estava andando por lugares que ele, o autor de diversas obras que admiro e do livro que eu estava seguindo, um dia caminhou.
Estou editando as fotos aos poucos, pois são muitas (e ainda faltou :( ), um dia as publico.

Também me acompanharam na aventura um exemplar do livro que ficou todo estropiado, uma mochila made-in-Portugal (a dona da loja falou isso toda orgulhosa!), e um boné que comprei para substituir o que o Tejo levou, mas que não está na foto pois o perdi justamente no Mosteiro :)

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Categories: Lisboa, Literatura, Turismo

79a Feira do Livro de Lisboa

10, maio, 2009 3 comentários

O que fazer em uma manhã de domingo fria, absurdamente nublada, e com uma feira de livros a duas quadras de distância?
Arrisquei excesso de bagagem e lá fui…

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É assim ao ar livre, nas duas rampas do Parque Eduardo VII, e com barracas padronizadas; tudo muito calmo, sem mutidões.

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Categories: Lisboa, Literatura, Turismo

FEBEAPA em Portugal

10, maio, 2009 1 comentário

Stanislaw Ponte Preta, heterônimo de Sergio Porto, criou no Brasil da década de 1960 o FEBEAPA, Festival de Besteiras que Assola o País, pequenas crônicas cuja matéria-prima eram casos reais de asneiras produzidas, principalmente, por políticos, militares (bem,  naquela época militares eram políticos…) e funcionários públicos.
Casos como o do político mineiro que queria aumentar o comprimento das saias das mulheres com uma lei, ou do outro, não lembro de qual estado, que queria revogar a lei da gravidade… Bem, uma leitura atenta dos noticiosos daí certamente comprovarão que o FEBEAPA continua firme e forte.

E aqui em Portugal…

Diário de Notícias de 08 de Maio
Um professor foi suspenso por que um aluno, filho do presidente de Câmara da cidade, se machucou em uma aula de expressão dramática e “à revelia do docente”: o aluno fechou os olhos e correu contra uma parede.
O professor considera-se injustiçado e explica: “Trata-se do ‘Exercício de Confiança’, em que apenas um aluno de cada vez usa uma fita nos olhos e é posto à minha frente. Mando-o correr para mim a três ou quatro metros de distância, sob a minha voz e ao meu comando. E o Jõao Pedro, um dos primeiros a executar o exercício, fê-lo muito bem e gostou. Depois, enquanto eu estava a fazer o exercício com outro aluno e outros se encontravam à espera, ele foi fazer aquilo que não devia às minhas costas.”
Estou com o professor, afinal o menino precisava aprender a ter confiança em si mesmo.

Público de 09 de Maio
Portugal anda às voltas com uma polêmica alteração de última hora na lei de financiamento dos partidos políticos. Um artigo da lei foi alterado de tal forma que agora as campanhas podem gerar lucro para os partidos, visto que o dinheiro arrecadado de doações privadas não é debitado do dinheiro público que os partidos recebem, e as receitas, somado o público e o privado, podem superar as despesas.
Sobre o tema, o presidente da Câmara de Lisboa (não, não é o pai do caso acima, a cidade lá é outra…), António Costa, elucidou no programa Quadratura do Círculo da SIC-Notícias:
”A legislação sobre os partidos, para além do que é, é também o que parece ser. E, desse ponto de vista, esta iniciativa foi desastrosa. Porque aquilo que parece ser é aquilo que não devia ser. Já vi agora tentativas de explicação de que não é bem assim, mas a verdade é que o que parece é aquilo. E o que parece não devia ser.”
Bem… num programa com este nome cabe bem uma declaração que nos dá nó na cabeça.

PS: sobre o FEBEAPA do Stanislaw, recentemente foi lançada uma edição que soma os 3 livros que ele publicou  desta série. Na Livraria Cultura tem.

Lisbon Revisited

7, maio, 2009 1 comentário

Ora se não é ironia… assino um serviço gratuito chamado ‘Uma palavra por dia’, que me envia quase diariamente, por email, a história de uma palavra da língua portuguesa.

Hoje, justamente no dia que voltei à Lisboa, qual foi a palavra??? “Pessoa”!!!
Reproduzo abaixo:
A origem mais remota da palavra ‘pessoa’ é o grego ‘prósopon’ (aspecto) de onde passou ao etrusco ‘phersu’, com o significado de ‘aí’. A partir dessa palavra, os latinos denominaram ‘persona’ as máscaras usadas no teatro pelos atores, e também chamaram assim aos próprios personagens teatrais representados.

‘Pessoa’ é parente distante de palavras de origem grega originadas em ‘prósopon’ e seus derivados, tais como ‘prosopografia’ e ‘prosopopéia’.

O vocábulo latino – ‘persona’- conservou-se no português ‘pessoa,’, no galego ‘persoa’, no italiano e no espanhol ‘persona’, no inglês ‘person’ e também, ainda que com outro significado, no francês ‘personne’ (ninguém), entre outras línguas.

Um memorável filme de Ingmar Bergman, com Liv Ullman e Bibi Anderson, considerada a mais ousada e experimental desse diretor sueco, teve o título ‘Persona’, em referência à acepção latina do termo, que alude a máscaras e personagens.

Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos, fez duas poesias com o título “Lisbon Revisited”:

Lisbon Revisited – 1923

Lisbon Revisited – 1926

Os links remetem ao Jornal da Poesia, que recomendo… mas a de 1923 precisa estar aqui:

Lisbon Revisited (1923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.  Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz!  Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Categories: Lisboa, Literatura, Turismo

Procurando Fernando Pessoa

23, abril, 2009 1 comentário

O hotel em que estamos fica mais próximo do Aeroporto do que do centro da cidade, e hoje estudando o mapa encontrei uma ruazinha chamada “Rua Fernando Pessoa” aqui perto, que dúvida em ir lá…

Então o pequeno passeio de hoje foi próximo ao hotel, em respeito ao resfriado e em busca do Pessoa.

Não me entendi direito com o mapa e parece que deixei meu senso de orientação em SP, então chegar à rua foi na base da perguntação… descobri que você tem que ser preciso: mesmo próximo à “Rua Fernando Pessoa”, se você se enganar e perguntar para alguém – que sabe onde é a rua – onde fica a “Avenida Fernando Pessoa”, a pessoa não vai te perguntar ‘Ô gajo, será que não queres dizer ‘rua’ em vez de ‘avenida?’
Bem, algumas perguntas depois:

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ela fica em um simpático quateirão residencial, com pequenos prédios de 3 andares e varandinhas, e com limoeiros em cada esquina. Pareceu-me que todas as ruas em volta são homenagens literárias… de modo que o Pessoa faz esquina com a Florbela Espanca:

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Mais em http://picasaweb.google.com.br/edumingues/FernandoPessoa1#

Categories: Lisboa, Literatura, Turismo

O assassino

2, abril, 2009 1 comentário

Ray Bradbury era um visionário, escreveu este conto no início da década de 1950 e eu o li pela primeira vez ainda adolescente, em 80 e tantos… de lá pra cá tenho visto ele se tornar cada vez mais real. Hoje, tirando algumas tecnologias diferentes das que adotamos, ou ainda não adotamos, e a qualidade das músicas, muito melhores no conto, lembro dele quando, por exemplo, entro em um ônibus e eu sou o único passageiro que não está ao celular; ou quando tentaram implantar, também nos ônibus de São Paulo, TVs publicitárias com som, o que, felizmente, alguns de bom senso conseguiram proibir -  hoje é apenas vídeo e podemos não olhar para ele.

O livro que o contém, o ‘Frutos dourados do Sol’, está fora de catálogo há muitos anos, mas pode ser encontrado em sebos; e o encontrei aqui no Scribd. Além d’O Assassino, vários outros são antológicos, como ‘O Pedestre’ e o ‘O grande jogo entre brancos e negros’, escrito antes do discurso do M.L.K. e muito antes do Obama.
Nota: embora Bradbury tenha se tornado conhecido como escritor de SciFi, ele foi também um ótimo cronista do cotidiano dos Estados Unidos de meados do século passado.

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Categories: Literatura