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Arquivo da Categoria ‘Sobre a vida’

Delírios febris

27, maio, 2010 edu 2 comentários

Aos 39° de febre não se dorme, espera-se desmaiar.

Precauções do Tenys Pé Baruel no Futuro do Presente:

PRECAUÇÕES
Manterás fora do alcance de crianças. Não usarás se a pele estiver irritada ou lesionada. Usarás somente nas áreas indicadas. Não aplicarás em calçados. Caso ocorra irritação, suspenderás o uso. Conservarás em lugar seco e fresco.

INFLAMÁVEL
Não pulverizarás perto do fogo. Não perfurarás nem incinerarás. Não exporará a temperaturas superiores a 50 graus C. Protegerás os olhos durante a aplicação. Evitarás a inalação deste produto.

Parece bem mais efetivo, não? Deviam adotar.

Será que há ligação com o fato de eu estar me preparando para ser padrinho de batismo???

Na última noite, esta imediatamente antes da gripe, sonhei que ia a um médico e ele reclamava dos tempos modernos. Ele era o Fernando Pessoa.

Hoje, já irritado com o baquear da gripe, no térreo de um prédio perto do West Plaza, no fuzuê da hora do almoço uma moça  repetia esganiçadamente para os amigos “Go west?”, “Go west?”, “Go west?”, “Go west?”… Oooo, quase que eu mostrei para ela onde eu achava que era o uésti.

38° e 1/2

Suando, remédio fazendo efeito. Há algumas horas minha irmã me orientou a tomar 30 gotas de Novalgina, que eu achava que tinha… troquei por 3 aspirinas. Tá ajudando. “Preciso de verdade e da aspirina.“*

Manchete da Ilustrada de hoje: “Varejão no atacado” Reforma vai, reforma vem, e a Folha continua imbatível nos trocaralhos dos cadilhos.

Termômetro analógico, de mercúrio: 1/4 do preço de um eletrônico e não faz barulho. Adoro objetos silenciosos.

Made in China. Claro. O que não é?

Quando era pivete, adorava quando um termômetro destes quebrava: a gente ficava brincando com o mercúrio na mão. Hoje se isso acontece os pais vão presos, com direito a reportagem no… no…  no… Aqui Agora ainda existe? Bem, num telejornal (!) equivalente.

Sob os critérios de hoje, as crianças nascidas antes da década de 90 não passariam dos 10 anos.

38°!

Chega.

* Álvaro de Campos

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu… Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.

Categories: Cotidiano, Sobre a vida

Los tres amigos

12, março, 2010 edu 2 comentários
Em 86 ou 87, eu, o Valcir, e o Boys, em alguma andança ou em algum boteco, nos apelidamos de Los Tres Amigos… pela não ocasional ordi éramos, respectivamente, o Laerton, o Angel Villa, e o Glauquito.
Os dois fugiram, um menos, outro muito mais, desta perigosa São Paulo e adjacências, mas declaro por eles também que estamos, os três e este blog, em luto. Morte besta.
los3amigos_174
Categories: Sobre a vida

La vie en rose

6, fevereiro, 2010 edu 1 comentário
Categories: Sobre a vida

Testando Edu 2.0

18, janeiro, 2010 edu 3 comentários

Voltando pra casa, subindo a Rebouças, o carro grita:

- Tec tec tec…

Continuo, na esperança de que fosse algo solto e que, como que por mágica, o problema pararia:

- Tec tec tec tec tecccccccccccccccccccccc…

Insisto, mais um esforço:

- Teccccccccccccccccccccc Teccccccccccccccccccccc Teccccccccccccccccccccc

Fumaça, muito cheiro de queimado, luz do óleo acende… consigo encostar em frente à futura estação Oscar Freire.

Teeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeec. (o carro) Cof cof cof. (eu)

Na boa.

Ligo pro seguro… previsão, 90 minutos. Na boa, obrigado moça.

Chega o Toninho do guincho e vou pra casa de caminhão, eu, ele e a esposa conversando tranquilamente sobre eu ser o 16 atendimento do dia… eu pensando faz parte, carro véio é isso mesmo. Na boa.

O carro esfriou, deu pra pôr na garagem, o Toninho ganhou uma cerveja. Depois eu resolvo.

Na boa.

Teste número 1: carro enguiçado no trânsito. Aprovado!

;)

Categories: Cotidiano, Sobre a vida

Edu 2.0

17, janeiro, 2010 edu 8 comentários

Em 2009 vivi a irresistível necessidade e o questionável privilégio de promover o período sabático que termina agora. Um tempo para descompressão, seguido de uma fantástica viagem até minhas origens nas cavernas, e depois uma grande fase de reinvenção e revisão de conceitos e de modo de vida.

Foi como eu rodar Windows e precisar de um reinício para instalar uma nova versão, e nesse processo rever todo meu registry, limpar arquivos desnecessários e fazer um defrag no meu HD, além de rodar um anti-vírus e implantar mais algumas regras no firewall. Claro que teve quem me sugerisse, a seu modo, passar a usar Linux e evitar alguns problemas, mas seria trabalhoso demais e, a meu ver, eu não precisava de uma mudança radical no kernel, mas apenas uns ajustes periféricos e no ambiente e um upgrade.

Vou pôr à prova esse Edu 2.0 daqui em diante e espero obter um bom desempenho e poucos problemas, mas como não sou bobo nem nada já me instalei o Bugzilla e um bom CVS para não perder o controle da evolução do sistema :)

Resumindo, agora ando mais devagar e carrego mais sorrisos, porque percebi que tinha muita pressa e que já havia chorado demais.

Tocando em Frente - Almir Sater e Renato Teixeira

Boa sorte pra mim ;)

Categories: Sobre a vida

Lula, o filho do Brasil

6, janeiro, 2010 edu 8 comentários

Em 10 de maio de 1958, Carolina Maria de Jesus escrevia o seguinte em “Quarto de Despejo. Diário de uma favelada”: “… O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.

Pode-se falar o que for sobre o Lula e seu governo, a média classe média do Sul e Sudeste pode esbraVejar do alto de sua indignação preconceituosa pouco esclarecida e muito manipulada; os analistas de plantão, bastante ouvidos apenas pela classe acima citada, podem dissecar todas as iniciativas e movimentos deste governo que certamente acharão erros, problemas, más condutas, na mesma medida que não enxergam, ou não divulgam, seus inversos.

Mas todos ão de convir que a trajetória de um nordestino que conheceu a pobreza e a fome e que viajou 13 dias em um pau-de-arara para, junto com sua família alicerçada pela mãe Dona Lindu, com seu bordão “Teima, é só teimar que dá certo”, salvar a vida em São Paulo, fez toda a diferença para os brasileiros mais pobres.

E é isto que o filme conta, acompanhando esta trajetória do nascimento em Garanhuns até a prisão do Lula e o enterro da D. Lindu em 1980. Sofre como qualquer filme que compacta 35 anos de história em duas horas, com alguns saltos no tempo que podiam ser melhor amarrados na minha opinião, mas ainda assim foram boas as escolhas dos fatos destacados, do elenco, e o cuidado na filmagem.

Irrita um pouco o merchand em excesso da Brahma, com guaranás e cervejas com os rótulos sempre visíveis, mas patrocínio é patrocínio… aliás, nos créditos iniciais, após o aviso ‘este filme não contou com nenhum incentivo fiscal, etc, etc’, a lista de patrocinadores parece uma carteira da Bovespa… Taí, podiam fazer um índice composto com as patrocinadoras do filme ;)
lula_o_filho_do_brasil_xlg

Não é brilhante mas é um bom filme, e vale pra gente conhecer um pouco melhor a trajetória d’o cara :)

Sobre “Quarto de Despejo”: Carolina era uma favelada negra semi-alfabetizada que morava na favela do Canindé na década de 1950 com três filhos pequenos, sustentando-os na medida do possível como catadora de papel e, entre uma batalha e outra, escrevia um diário onde contou o cotidiano seu e da favela. Descoberta por um jornalista, conseguiu publicar um livro com fragmentos do diário abrangendo de 1955 a 1o de Janeiro de 1960. O livro foi um fenômeno de vendas e ela consegui realizar o sonho de ter uma casa de alvenaria. Publicou mais alguns livros, ficou conhecida mundialmente – foi tema de documentário na Alemanha – e finalmente morreu pobre e esquecida em seu país em 1977.
Do livro, em 28 de Maio de 1959: “… A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.”

Aconselho a leitura para todos que querem conhecer um pouco da miséria e do que é passar fome sem ser nas dietas pré-verão ou nos jejuns pré-exame de sangue.

Aqui na Livraria Cultura, classificado com ‘infanto juvenil’!

Sutilmente

15, dezembro, 2009 edu 1 comentário

Um dia ganhei da Vivi um violão, que nunca me empenhei em aprender. Anos depois, depois deste violão passar por poucas e boas, acabei devolvendo-o. Se tivesse aprendido, uma das músicas que tocaria – à beira da fogueira, com os amigos – seria essa, que não parece nada complicada e tem refrão para todo mundo cantar junto.

Sutilmente - Skank

Samuel Rosa / Nando Reis

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Ando musical ;)

Categories: Música, Sobre a vida

Haikais

11, dezembro, 2009 edu 1 comentário

Vasculhando meu baú virtual atrás do antigo blog do Andrey, acabei encontrando o meu antigo e, lá, os haikais que fiz na época, 2001/02… pela ordi:

– estes foram os primeiros :

Caí do trem da história
Fiquei sem saber
onde ele ia

quando vi o som do dia
só ouvi
o que escrevia

o rodo se esbaldava
na água que caía
em gota

outono hoje
a sombra costumeira
virou colchão

– putz, aqui era eu torcendo para umas plantas que eu havia comprado florirem… morreram pouco depois :(

vai brotar a flor
a ansiedade
à flor da pele

estes foram esperando a Lu, que havia ido comprar “uma blusinha rapidinho“… onde anotei “Este é meu primeiro com métrica perfeita (5-7-5)” :)

ai ai ai ai ai
ai ai ai ai ai ai ai
ai ai ai ai ai

se flor comprasse as pétalas
levaria anos
para florir

– aqui meu eu melancólico se manifestando

Saudades da melancolia
de quando da dor não sabia
que sabia a filosofia.

– a série abaixo certamente foi numa época nublada como os últimos dias aqui em Sampa

Ando esquecido
Há um azul celeste
Atrás do branco?

Azul cadê?
Algodão entope
Minha vista

Mais céu nublado
Por mais tempo fará
Meu humor inglês

Retornou com classe
Após a densa neblina
Bem-vindo à terra

– minhas encrencas com comunicação, já de antigamente…

Telefone email
Celular torpedo chat
Devia ficar quieto

– e esse eu mesmo não entendo

Eleger o possível,
torna possível
o impossível.

Depois nunca mais fiz haikais, acho que a vida começou a ficar mais complicada naqueles tempos e fui abandonando, como abandonei o blog. Quem sabe volte a inspiração.

Categories: Literatura, Sobre a vida

Capitalismo Esotérico

10, dezembro, 2009 edu 3 comentários

Não, aí já foi demais… depois do Capitalismo Selvagem, agora temos o Capitalismo Esotérico, nas palavras do podcast de ontem no Filosofia de Bem Viver, da Márcia De Luca, especialista (!) em yoga (!!) e ayurveda (!!!) da Rádio Eldorado.

O negócio é tão espantoso que me aluguei em transcrever – leia de preferência ouvindo uma música new age bem baixinho:

“Hábito de guardar dinheiro não é saudável; ouça as dicas da Márcia de Luca
A lei da prosperidade nos ensina que as coisas devem fluir natural e espontâneamente
(sic).

Quantas pessoas têm o hábito de guardar dinheiro? Guardar dinheiro com medo de que um dia falte em sua vida. O simples ato de guardar e guardar vai promovendo uma estagnação da energia. Ilusoriamente estas pessoas podem achar que estão enriquecendo, aparentemente até estão. Mas estão também truncando a lei da prosperidade que nos ensina que tudo deve fluir natural e espontaneamente, para que o movimento continue se perpetuando. Para ganhar é preciso gastar, mas gastar com critério e inteligência, comprando o que é necessário, investindo de maneira coerente, intensificando, desta maneira, a poderosa lei universal que diz que é dando que se recebe. Essa é mais uma dica da filosofia de bem viver. Juntos podemos fazer a diferença para um mundo melhor.”

Ou ouça o original aqui.

Ô Dona Márcia, guarda dinheiro quem tem dinheiro para guardar, pois a maioria dos mortais aqui tem medo de que um dia falte em nossa vida. E imagine o quão esotérico é para seu ouvinte que rala pra fazer o salário chegar ao fim do mês ficar satisfeito por não estar guardando nada, pois assim não está ‘promovendo uma estagnação da energia’?

Dona Márcia, é óbvio que o dinheito circular é necessário na economia, pois… mas chamar isso de ‘lei da prosperidade’ pois a grana deve ‘fluir natural e espontaneamente’… uau, quanto dinheiro pinga espontaneamente na sua conta??? Para ganharmos é preciso que alguém gaste, normalmente somos nós mesmos – aqueles mortais de que lhe falei, mas às vezes temos que guardar tudo o que conseguimos para conseguir realizar algum sonho – e olha, aí vamos gastar! – ou para nos prepararmos para uma adversidade ou para a quando o dinheiro parar de pingar espontaneamente – uau2, gostei dessa idéia de espontaneidade na economia. E, olha, na boa: ‘é dando que se recebe’ cabe melhor discutindo política do que economia, quanto mais esoterismo. Mas não se preocupe, eu habitualmente compro incensos e faço a grana circular para seus lados ;)

By the way, vou sugerir para o pessoal de Brasília te chamar para participar das reuniões do COPOM, se os incensos, o new age, e o pessoal reunido em posição de lótus não servir para baixar os juros, ao menos as atas vão ser bem mais interessantes :)

Discutindo a relação

8, dezembro, 2009 edu 1 comentário

O Laerte, o Angeli, e o Glauco, para mim nesta ordem, são muitas vezes felizes ao transportar as misérias do cotidiano para os quadrinhos.

A de hoje do Angeli é perfeita, mas só quem já discutiu relação é que entende:

blog_005a
Angeli – Folha de São Paulo – 08/12/2009

Vou sentir falta deles…